Dr. Ricardo Teixeira - "Não precisa nem enxergar a fumaça. Só o cheiro do cigarro já faz mal à saúde"
Pesquisas mostram que após a fumaça ser extinta, permanece no ambiente um significativo nível de toxinas nas superfícies do ambiente, na própria poeira, e até toxinas voláteis que ficam no ar mesmo. A fumaça do cigarro contém cerca de 250 gases tóxicos, entre eles: hidrogênio cianide (usado em armas químicas), monóxido de carbono (também no escapamento do carro), butano (fluido para isqueiro), amônia (também usado em produtos de limpeza), tolueno (também no thinner), arsênico (também nos pesticidas), chumbo (também nas tintas de parede), cromo (usado na fabricação do aço), cádmio (também nas baterias e carro), polônio-210 (radioativo). Onze dos 250 gases tóxicos do cigarro são classificados como compostos carcinogênicos do grupo 1, ou seja, os mais carcinogênicos. Os programas anti-tabagismo costumam enfatizar os efeitos deletérios do fumo passivo ao que se chama de "fumo de segunda mão", que é a fumaça visível sendo inalada pelo não fumante. Uma pesquisa divulgada esta semana pelo jornal Pediatrics revela um baixo nível de consciência por parte da população americana de que fumaça extinta também é deletéria à saúde, também chamada pelos pesquisadores como "fumo de terceira mão". Nesse caso as crianças são as mais susceptíveis já que ficam mais tempo em casa, mexem e colocam mais a boca nas superfícies, e já foi demonstrado que a inalação de poeira por crianças é duas vezes maior que no adulto. Além disso, a pesquisa conseguiu demonstrar que o nível de consciência do risco do "fumo de terceira mão" é maior em lares em que o fumo é proibido.
Dr. Ricardo Teixeira é Doutor em Neurologia pela Unicamp. Atualmente, dirige o Instituto do Cérebro de Brasília (ICB) e dedica-se ao jornalismo científico. É também titular do Blog "ConsCiência no Dia-a-Dia" e consultor do Grupo Athena.
Atualizado em: 06/01/2009